PREVISÃO DE LANÇAMENTO: 20/05/2026. A maneira como nomeamos as coisas, seja no nosso dia a dia, seja no debate público, carrega sempre uma visão de mundo, muitas vezes inconsciente. É o que o linguista e cientista cognitivo estadunidense George Lakoff chama de enquadramentos ( framings ): estruturas invisíveis que moldam nosso imaginário político. Quando o governo dos Estados Unidos usa, por exemplo, a expressão 'guerra ao terror'para justificar a intervenção em países soberanos, faz uso de um enquadramento tão bem-sucedido que ele passa a integrar o senso comum do país. Para transformar a sociedade, defende Lakoff, é muitas vezes necessário reenquadrar o discurso público e alterar a percepção geral. Portanto, neste guia clássico de como expor ideias políticas com eficácia, ele parte de casos concretos e aborda um amplo leque de temas centrais à agenda progressista, como aquecimento global, religião, cobrança de impostos, aborto, política externa, educação, segurança e saúde públicas, entre outros. Ao longo do livro, o autor mostra como uma mesma proposta pode ser apresentada sob diferentes enquadramentos e analisa por que os conservadores têm conseguido dominar a opinião pública ao forçar os progressistas a debater dentro de seus termos. Para enfrentar a agenda conservadora, Lakoff defende que não basta recorrer a dados científicos e estatísticas que levem a conclusões racionais. É preciso propor novas formas de nomear e estruturar o debate público que estejam alinhadas à visão de mundo progressista. Afinal, dominar o enquadramento significa definir a arena em que o debate ocorre. São lições de comunicação estratégica valiosas, que ganharam relevância com a primeira publicação de Não pense num elefante , em 2004, e que encontram um solo fértil no Brasil de hoje, onde a disputa cultural entre esquerda progressista e direita conservadora se intensifica a cada dia, impulsionada pela internet e pelo poder obscuro dos algoritmos. Como afirma a ativista e comunicadora Alessandra Orofino no prefácio à edição, a batalha pelo discurso 'é uma batalha que podemos vencer, se começarmos agora, com as ferramentas que Lakoff nos oferece e com a coragem de imaginar um Brasil diferente'.