PREVISÃO DE LANÇAMENTO: 02/03/2026. Os breves poemas que formam Ínsulas, de Dalila Teles Veras, sintetizam as linhas de força de uma voz admirável que, em mais de quatro décadas de intensa atividade poética, política e cultural que sempre estão, para ela, numa mesma dimensão, se apurou e espraiou em versos, poemas em prosa, crônicas, diários e ensaios. A palavra 'ínsula' remete à origem latina de 'ilha', mas também carrega outro sentido muito pertinente aqui: 'ínsula' ou córtex insular é a região do cérebro em que as sensações corporais se conectam com as emoções e com os sentimentos, ou seja, em que a mente traduz as mensagens do corpo. Nos poemas da plaquete, esses dois sentidos se projetam porque, junto à insularidade evocada pela poeta nascida numa ilha portuguesa, há o testemunho de uma mulher que rompe o isolamento ao se identificar e multiplicar junto a outras mulheres e, também, ao lidar com a forma como a passagem do tempo inscreve, no corpo e na mente, outra vida, outro modo de viver. Na primeira parte, os poemas tratam da percepção particular do mundo que decorre não apenas de ter nascido e vivido a infância numa ilha, mas do fato de partir em direção ao exílio - a ilha, assim, é lugar no espaço, lá fora, mas também algo que se carrega por dentro e, claro, na escrita 'todo um arquipélago a compor a poeta e a poesia'. Na segunda, 'Infusões', o olhar se abre para retratar a força das mulheres ao redor: anfíbias, engenheiras, ambientalistas, magas, artilheiras, ambidestras, ilusionistas - 'que ninguém se iluda com a fragilidade aparente'. Na terceira, 'Faces, fases', a poeta volta-se para o 'novovelho corpo', em que os músculos e a memória se transformam, mas, 'ostra agarrada ao tempo', flagra o que ainda a faz criar e desejar.