PREVISÃO DE LANÇAMENTO: 30/03/2026. Este livro nasce de uma urgência: entender como líderes autoritários em todo o mundo têm instrumentalizado a religião para mobilizar bases e corroer estruturas democráticas. A partir de um diálogo entre Michel Gherman, historiador e sociólogo judeu branco, e Ronilso Pacheco, teólogo e pastor evangélico negro, mediado pela jornalista Ana Luiza Albuquerque, os intelectuais analisam o avanço da chamada 'pedagogia do ódio', que ressignifica conceitos como liberdade e direitos humanos para favorecer interesses de uma elite financeira, religiosa e branca. Os autores exploram como a extrema direita construiu uma linguagem própria, baseada no medo e na oferta de um 'passado ideal', que poderia ser entendida com uma nova 'gramática do ressentimento'. Nessa análise, Gherman introduz conceitos cruciais como o 'antissemitismo filossemita', um uso estratégico de símbolos de Israel que serve para legitimar agendas racistas e excluir judeus progressistas. Já Pacheco detalha a 'política da opacidade', uma tática que empurra grupos minorizados para as margens do debate público, neutralizando sua existência política, a partir dos dogmas das religiões cristãs neopentecostais. Para além do diagnóstico da ação da extrema direita que se espalha pelo mundo, a obra propõe o resgate de um letramento democrático e antifascista. Pacheco e Gherman argumentam que o campo progressista não pode renunciar ao diálogo, ao afeto e à religiosidade, deixando-os exclusivamente nas mãos do extremismo. Trata-se de uma defesa clara de que a vitória contra o autoritarismo exige a construção de novas utopias e a capacidade de dialogar com as esperanças cotidianas da população. Diálogos em tempos difíceis é uma ferramenta preciosa para compreender o Brasil contemporâneo, proteger o futuro da democracia e enfrentar os desafios globais de um mundo que se radicaliza de forma acelerada.