PREVISÃO DE LANÇAMENTO: 20/05/2026. Uma febre alta e súbita, em meio ao isolamento da pandemia, torna-se o portal involuntário para o passado. Ao buscar refúgio nas páginas de um livro há tempos esquecido em sua prateleira, a narradora em primeira pessoa reencontra uma dedicatória escrita 25 anos antes. As palavras deixadas por Johanna, uma antiga namorada, não são apenas a lembrança de um presente de décadas atrás: são o estopim que rompe o silêncio para evocar a memória de pessoas que a moldaram. Nesta jornada febril pelo passado, a protagonista retoma as trilhas de quatro ausências marcantes que ainda reverberam em sua formação. Primeiro, há a intensidade intelectual e os embates de Johanna, a mulher que lhe deu o livro e que agora é uma voz distante. Depois surge Niki, a amiga nômade e instável, cujos sumiços e aparições em Estocolmo ditavam o ritmo de uma juventude caótica. Há também o trauma e a ternura de Alejandro, o amante que atravessou sua vida como um vendaval de paixão e mistério. E, por fim, a figura central de Birgitte, a mãe esquiva e cheia de segredos familiares que lançam sombras sobre a identidade da filha. Nessa volta à Estocolmo pré-digital dos anos 1990, em um tempo de cartas, telefones fixos e encontros casuais na iminência da virada do milênio, Ia Genberg nos conduz por uma geografia de afetos e perdas. Com uma prosa fragmentada e magnética, a narradora reconstrói esses laços não para reviver o que passou, mas para entender quem ela se tornou. Ao falar dos outros - de seus corpos, manias, livros lidos e destinos traçados - , a autora acaba por realizar o mais íntimo dos autorretratos, tateando as fronteiras entre o 'eu'e as marcas deixadas pelos que partiram. Detalhes torna-se uma investigação profunda sobre a matéria que nos esculpe e os inúmeros pedaços que se organizam e desorganizam para formar uma história única. Afinal, mesmo quando a febre passa e a escrita retorna resta a dúvida permanente: em um quebra-cabeça feito de imagens alheias, quem é, verdadeiramente, o retratado?