Desde o final dos anos 70 até 2013, VS registrou o centro da capital paranaense, evidenciando as profundas modificações ocorridas pelo espaço urbano ao longo deste período. As fotografias provocam sensações distintas ao leitor, como se existissem várias cidades em um mesmo espaço. O trabalho tem como referência o anel central determinado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, formado pela Avenida Sete de Setembro até a Alameda Augusto Stellfeld e da Rua Desembargador Motta até a Rua Ubaldino do Amaral. A obra permite uma viagem no tempo e na memória: da arquitetura de madeira do século passado que remete à colonização para as modernas construções, retratadas em detalhes. 'Curitiba e eu crescemos e mudamos juntas. O observador resgata nas fotografias o patrimônio urbano que remete a diferentes épocas da nossa cultura e ajuda a entender a Curitiba do centro atual', afirma Vilma. O pesquisador e curador de fotografias Rubens Fernandes Junior destaca a valorização dos detalhes nos registros da artista. 'Ela tratou a cidade como um desenho lógico valorizando o fragmento, o detalhe, as marcas dos seus gestores, as fontes e os chafarizes, os edifícios representativos da identidade cultural do cidadão. Enfim, sua fotografia é essa espécie de desenho lógico criada na imprecisão do acaso das suas andanças pela região. Através das suas fotografias podemos entender a cidade como um palimpsesto, ou seja, camadas de memória e de tempos que provocam distintas sensações. É como se pudéssemos ver várias cidades na mesma cidade', afirma o crítico.