PREVISÃO DE LANÇAMENTO: 10/02/2026. Neste terceiro volume da coleção César Aira, nova leva de novelitas inéditas no Brasil dão a ver a criatividade deste que é um dos mais importantes escritores da América Latina. Uma mistura conto de fada e relato bélico, passando por uma história sobre violência de gênero, um conjunto de não ficções sobre a vida e o tempo, até um romance pampeano mais recente, esta caixa reúne diferentes reflexões acerca dos modos de fazer literatura. Com as típicas reviravoltas inesperadas.
A princesa Primavera: Numa pequena ilha na América Central, a Princesa Primavera vive tranquila com sua governanta. Para sustentar o castelo, ela trabalha arduamente como tradutora de livros populares, sendo exemplar no ofício. Um dia, porém, a ilha é ameaçada pela invasão do General Inverno e do comandante Pinheirinho de Natal. Tem-se início a guerra, e com ela uma aventura enlouquecida acompanhada de uma profusão de personagens igualmente delirantes. Assim, nesta novelita, ele também subverte a fábula e o relato bélico, aproveitando para refletir sobre os estigmas da qualidade literária, sempre surpreendendo quem a lê.
Eu era uma mulher casada: Sob influência do título, pode-se pensar que esta novelita trata apenas da vida matrimonial. De fato, a protagonista conta o martírio de estar casada com um homem maldoso, violento, desempregado, adicto de drogas, isto é, um verdadeiro fardo que vive lhe pregando peças. O horror e o absurdo do cotidiano dessa trabalhadora residem não só nas privações, mas na sua mente e no seu corpo, que aos poucos vão padecendo.
Artforum: Leitor ávido da Artforum, revista estadunidense fundada nos anos 1960 para tratar de arte moderna e contemporânea, César Aira dedica esta espirituosa coletânea de textos à sua obsessão pelo periódico. Espécies de ensaios ficcionais, os relatos são sempre disparados por um episódio peculiar relacionado à Artforum. Seja uma tarde em que ele compra vinte e quatro edições num ato de colecionismo apaixonado, seja a dificuldade de adquiri-las por meio de uma assinatura, ou ainda a melancolia causada pelo atraso de seu recebimento, cada incidente nos leva a refletir sobre amizade, inexorabilidade do tempo e mistérios cotidianos guardados até num pregador de roupas.
N'O Pensamento: Este singelo romance se passa n'O Pensamento, vilarejo próximo a uma estação de trem nos pampas argentinos. Nele, o narrador rememora o último período em que viveu ali antes de se mudar, cercado pelo carinho da mãe e impactado pelo poderio do pai, um homem de negócios que acaba por comprar quase tudo a sua volta. De suposta matriz autobiográfica, o enredo se transforma inesperadamente depois da chegada de um tutor cosmopolita e do desaparecimento inexplicável da locomotiva que cruzava o povoado.