PREVISÃO DE LANÇAMENTO: 21/09/2026. Júlia Lopes de Almeida - única mulher entre os idealizadores da Academia Brasileira de Letras - constrói em A família Medeiros uma crítica severa ao patriarcado neste romance abolicionista. Otávio Medeiros, após uma temporada de estudos na Europa, retorna à fazenda da família, no interior de São Paulo, trazendo ideias progressistas o fim da escravidão, em confronto direto com as convicções conservadoras de seu pai, o comendador Medeiros. Na fazenda também vive Eva, prima de Otávio, que atua em favor de escravizados submetidos à violência cotidiana e participa de fundos de alforria. Em torno dela, contudo, gravita um segredo capaz de desestabilizar a autoridade patriarcal do comendador. Combinando romance, crítica social e mistério, Júlia Lopes de Almeida constrói uma história que expõe as estruturas de poder que sustentavam a sociedade escravista brasileira. A figura do comendador sintetiza a violência patriarcal e a defesa intransigente dos privilégios da elite agrária, enquanto a narrativa incorpora episódios de fugas, rebeliões e outras formas de resistência escravizada. Concluído em 1888, ano da promulgação da Lei Áurea, o romance registra um período decisivo de transição histórica. A família Medeiros evidencia o projeto intelectual de Júlia Lopes de Almeida, autora fundamental para a compreensão das relações entre literatura, gênero e crítica social no Brasil oitocentista. Considerada uma das escritoras mais importantes de sua geração, Júlia Lopes de Almeida participou ativamente da vida intelectual brasileira e esteve entre os nomes envolvidos na idealização da Academia Brasileira de Letras. Apesar disso, foi excluída da composição inicial da instituição, fundada em 1897, em razão da resistência a mulheres entre os 'imortais'. Sua trajetória ilumina não apenas a relevância de sua obra literária, mas também os apagamentos que marcaram a história cultural brasileira.